segunda-feira, 18 de abril de 2011

O Enigma do Colar capítulo 2

Cap. 2 – Quem acredita em lendas?
Na área nobre de Londres ficava o luxuoso apartamento de Edward Cullen. Edward era empresário, tinha uma famosa indústria de calçados. Ele não nasceu rico. Seus pais não eram pobres, mas também não eram ricos, digamos que eram classe média. Seu pai era sapateiro, consertava calçados e aprendeu esse ofício com o pai dele, o avô de Edward. Com a ajuda da esposa Esme o Sr. Carlisle criou uma pequena fábrica de calçados que o filho Edward expandiu com muito talento. Por isso Edward dava muito valor ao que conquistou, pois sabia que o esforço dos pais não fora em vão.
Ele e os dois irmãos, Alice e Emmett foram à faculdade e prosperaram os negócios da família. Edward se formou em administração, queria comandar a empresa do pai. Alice fez jornalismo e Emmett tornou-se engenheiro. Esses dois mesmo não sendo ligados diretamente à empresa de calçados contribuíram muito para seu crescimento e consolidação da marca no mercado nacional e internacional, já que os calçados Cullen eram vendidos em toda a União Européia, Estados Unidos, Índia, Egito e Brasil.
Apesar de gostar muito de seu trabalho Edward sempre desejou ter uma profissão relacionada às Artes ou História, pensava consigo que seria um bom historiador, ou um arqueólogo, quem sabe!? Como escolheu sua profissão mais por um dever do que por um sonho, sempre que podia ele comprava obras de arte. Gostava de colecionar as mais diversas, desde objetos pequenos a grandes quadros. Seu pai e seu irmão Emmett achavam aquilo uma frescura, como diria o Emmett: cara isso não é coisa de homem. Alice achava o máximo todos aquelesobjetos e sempre que podia escrevia alguma matéria sobre uma nova aquisição do irmão. Além de hobby, a coleção era um grande chamariz para mulheres, elas viviam pedindo a Edward para que lhes mostrasse sua coleção. Ele aproveitava para conquistar as mulheres assim, lhes contava um pouco sobre as histórias dos objetos e pronto, elas achavam o máximo e logo se derretiam para cima dele.
Em questão de relacionamento ele até que era reservado, sempre estava saindo com alguém, mas nunca namorando; achava que compromisso sério seria um atraso para sua vida. E, além disso, para que amor? Até hoje, aos 29 anos viveu sem, acho que posso passar mais um tempo sem ele, pensava.  Às vezes cogitava se realmente existia o amor romântico, aquele dito pelos casais apaixonados. Ele não era insensível, sabia o que era amor, amava seus pais e seus irmãos, mas amar uma mulher isso nunca aconteceu. Pensava que elas se interessavam apenas por seu dinheiro. Há alguns meses decidiu levar a sério uma garota com quem saía há um tempo; Tânia Denali era filha de um parceiro da empresa, também da alta sociedade londrina.
Tânia era uma garota bonita, magra – não como as modelos – tinha o corpo bem modelado, alta e loira. Boas características físicas não? Que homem não quer um mulherão à tira colo. Mas a coitada não podia falar muito, não tinha conteúdo, era rasa igual um prato. Mergulhar numa conversa com ela era algo um pouquinho difícil. Porém Edward não estava se importando, decidiu que a pediria em noivado já que isso também seria bom para os negócios. Ele pensava que não precisaria conversar muito com ela, desde que ela fizesse bem seu “dever” de esposa estaria tudo bem. Ah! Isso ele sabia que ela daria conta do recado. Tânia ficou muito feliz com o pedido, contou a novidade para todos, colocou até nos jornais. O Sr. Carlisle e Esme ficaram muito felizes e Emmett disse: você sabe o que faz. E Alice? Ah! A Alice. Ela quase quebrou a casa.
-Edward essa é a maior besteira que você irá fazer na vida! - Alice disse um pouco descontrolada.
- Eu sei o que faço, não sou mais um garotinho. E você sabe que não gosto que se metam em minha vida até mesmo você.
- Ok Sr. “Sei o que faço”, só não vale chorar quando eu disser: eu te avisei.
Depois de 2 meses de noivado Edward descobriu o que sempre supôs das mulheres,  pelo menos uma confirmou sua teoria. A firma do pai de Tânia estava falindo e ela só se aproximou dele por dinheiro. Ele ficou furioso com a traição, não por que a amava, mas por que não gostava de não ter o controle da situação. Tânia seria para ele mais uma afirmação social, afinal ele já estava perto dos 30 e um homem com sua reputação precisa construir uma família. Certa vez lera uma pesquisa que dissera que homens de negócios solteiros não eram muito bem vistos por seus funcionários, assim ele sabia que ter uma esposa também era importante para sua imagem profissional. Além disso, ela era boa companheira entre quatro paredes. Até chegou a pensar que sentia algo mais intenso por ela, paixão, amor? Não sabia definir, talvez por nunca ter sentido isso antes. Depois de muito pensar concluiu que era apenas desejo, misturado com não sabia o que mais. Afirmou para si mesmo que mais nenhuma mulher atravessaria seu caminho para atrapalhar sua vida. Os negócios com os Denali foram desfeitos na mesma semana. Tânia não era má pessoa, só ajudou o pai porque viu que era realmente necessário, no fundo até gostava de Edward. Tentou lhe explicar isso quando ele descobriu da falência do pai, mas ele ficou cego e não enxergou que a moça estava sendo sincera.
Desse episódio em diante ele se tornou um mulherengo saía com várias, mas nunca as assumia publicamente. Tânia vez ou outra o procurava com a intenção de reatarem, mas ele permanecia intransigente, nem queria olhar na cara dela.
_*_

Índia- Alguns meses atrás.
Parado em frente à pequena porta que dava entrada para a loja de antiguidades Edward se perguntava se o objeto que procurava estaria lá.
Ao entrar se deparou com um lugar apertado e cheio de antiguidades, algumas podia dizer que tinham valor monetário, outras nem tanto assim. Não se importou com as condições físicas do lugar. Já havia entrado em lugares bem piores. Observou atento um Sr. Indu, caminhar em sua direção. Com o cumprimento local o Sr. o saudou.
- Bom dia! Sr. Preciso achar um colar com um pingente de coração de safira da Dinastia Iundy. Fui informado que o Sr. poderia me dizer onde posso o encontrar. – Disse em troca ao cumprimento.
- Mas qual o motivo de sua procura?
- Sou colecionador e esta seria a peça mais importante de minha coleção. Aguardo pelo momento de encontrá-la há anos.
Sr.?
- Anthony Brandon! – Às vezes ele usava esse nome quando não queria se identificar “oficialmente”.
- Bem Sr. Brandon, eu tenho aqui um colar da Dinastia Iundy, contudo não sei se é o que o Sr. procura. Recebi ele de um interceptador que o comprou de um caçador de tesouros que o achou em um antigo templo ao Norte daqui, cerca de uns 200km.
- Por favor, deixe me vê-lo! Segundo minhas investigações, pode ser este mesmo.
- Só um instante. – Edward tremeu ante a expectativa de estar tão perto do colar.
- Está aqui. – disse o velho Indu.  

Edward congelou diante daquela maravilhosa pedra azul incrustada com lindos diamantes em formato de coração. Era exatamente o que procurava. Ele ficou muito feliz. E disse:
Sr. vou levá-lo imediatamente, quanto deseja por ele? Quer receber como? Em libra, dólar ou moeda local?
- Um momento rapaz. Para comprar este colar o comprador deve saber uma coisa.
- Diga então!
- Este colar é muito antigo e ele foi feito única e exclusivamente por uma razão. Há muito tempo atrás o amor estava sendo extinto da Terra, e uma jovem Rainha muito triste com o rumo de tristeza e violência que o mundo tomava, teve uma decisão que demonstrava seu esforço em manter o amor no mundo.
- E qual foi essa decisão? – Edward pareceu um pouco impaciente até mesmo para seus ouvidos, não queria apressar o velho, pois sabia que com o povo Indu as negociações eram diferentes. Eles confiavam nas lendas e ele aprendera respeitar isso.
- Ela mandou fazer um colar, pediu isso a um exímio joalheiro local e assim o descreveu:
- Joalheiro faça um belo colar, com uma linda corrente de ouro, seu pingente será o mais belo já visto, coloque no pingente uma linda safira e a incruste com diamantes e que tanto a safira quanto os diamantes sejam em formato de coração. – Disse a rainha. – Ah, digo mais: se um dia você Sr. joalheiro conheceu o amor, coloque todo o que tiver dentro do seu coração nessa criação.
- Não é que a peça foi a mais bela feita naquela época!? Com o colar em mãos a rainha o levou até uma feiticeira e disse: quero que coloque um pouco de amor dentro desse coração, porque enquanto este colar existir sobre a Terra o amor não será esquecido. Mesmo com violência e tristeza ele existirá no coração de pelo menos uma pessoa; aquela que o possuir. – Ele concluiu sorridente.
- Sr. Brandon, para levar esse colar o Sr. precisa verdadeiramente acreditar no amor, se não sua aquisição não será possível e se o fizer assim mesmo, o amor que existe no colar irá se esvair de dentro  dele.
- Eu creio no amor. – Não estava mentindo, cria no amor entre pais, filhos irmãos e tal, mas para salvar o mundo como queria a rainha aí já é demais. Enfim, cada um no seu quadrado. 
- Então pode levar.
Fecharam negócio e Edward voltou radiante para Londres.

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